Pular para o conteúdo principal

Slipknot - We Are Not Your Kind (REVIEW)

We Are Not Your Kind - 2019.

Tivemos a volta de uma das bandas mais significativas do cenário do Nu Metal, com um álbum um tanto quanto surpreendente.

Sem três dos seus membros originais (Paul Gray, baixista, falecido em 2010; Joey Jordison, baterista, chutado em 2013; Chris Fehn, percussionista, que caiu fora em 2018 por brigar por grana), a banda lançou um dos seus melhores álbuns desde o Iowa, em 2001 (é, já tem bem mais que dez anos, o tempo passa né).

Não vou falar muito sobre a banda, pois creio eu que, aqui no grupo, o pessoal já deve conhecer de alguma forma o Slipknot.

Pensando bem aqui, a única crítica real que tenho contra esse disco é quanto à mixagem do baixo. Me incomoda o fato de que eu não consigo ouvir bem o baixo nas músicas, e pra mim é um instrumento muito importante, ainda mais pra bandas que tem uma certa influência do groove metal, como o Slipknot.

Vou mencionar todos os pontos fortes desse disco em tópicos:

1. A bateria: a forma como ela foi mixada, e as linhas dela, em praticamente todas as músicas, é algo simplesmente demais! Digo que esse foi o elemento essencial pra que a banda conseguisse atingir a sonoridade que queriam nesse disco. Além do mais, as linhas não soaram clichês, graças ao baterista novo, já que, se fosse o Joey Jordison, provavelmente repetiria algo vindo do Vol. 3 em diante;

2. A produção no geral: gosto como esse disco não soa tão limpo quanto os demais que eles já lançaram desde o Vol. 3. É uma sonoridade que fica entre o S/T e o Iowa, e ao mesmo tempo tem algumas experimentações, o que não faz soar uma cópia de versões passadas;

3. Várias influências: nesse disco você não ouve só o nu metal agressivo dos primeiros discos deles, você ouve muito do Industrial Metal (juro que esse disco me lembrou muito os álbuns do Fear Factory lançados nos anos 90), consegue ouvir algo do djent aqui e ali (os famosos super breakdowns), e consegue ouvir até algo do industrial do Nine Inch Nails (Spiders e My Pain são exemplos);

4. As guitarras: meu amigo, aqui deve ter até Drop A de afinação se duvidar, sem falar que a dinâmica entre os riffs está ótima. Não existem solos exagerados, e por incrível que pareça, existem melodias incríveis e muito bem pensadas, sendo A Liar's Funeral um bom exemplo;

5. Melhora nos vocais e nas dinâmicas entre clean/dirty: dá pra sentir que o Corey Taylor conseguiu largar aquele melódico meio forçado que ficou claro no All Hope Is Gone, e além de tudo, consegue se aproximar do gutural algumas vezes, coisa que me impressionou bastante.

Esse é um disco que bebe tanto de influências antigas quanto novas, e busca reinventar a banda. A já citada A Liar's Funeral me soa muito como uma reinvenção de singles como Vermillion pt. II e Snuff, porém, com o peso que a banda tinha nos anos 90, aliada a uma espécie de doom metal arrastado que é simplesmente arrassador, e com certeza é uma das melhores desse álbum.

Talvez, em alguns momentos, a banda acabe apenas repetindo a fórmula antiga, como em Critical Darling e Red Flag, porém, não é algo recorrente no álbum.

Tá curioso com o novo Slipknot? Comece esse disco ouvindo A Liar's Funeral, Spiders, My Pain e Not Long For This World, com certeza você gostará de alguma dessas que citei.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lost Highway - David Lynch (1997)

Como já é de praste no cinema do David Lynch, Lost Highway entrega ao espectador uma experiência de participação ativa, conduzindo-os através de pistas pontuais ao longo do roteiro. Apesar disso, essas pistas não tem a menor pretensão de chegar a uma conclusão específica, mas sim, de encorajar a exploração do inconsciente na cosmologia do filme. O uso de símbolos metafóricos contribuem para a imersão nas diversas camadas de reflexões ontológicas da obra. Podemos perceber inicialmente o explícito desconforto, insegurança e angústia que atormentam Fred Madison, personagem interpretado (com excelência, diga-se de passagem) por Bill Pullman, fruto dos seus problemas de natureza conjugal e sexual. Toda essa instabilidade emocional é traduzida visualmente no contraste de ritmo das cenas, que intercalam entre planos mais pacatos com uma câmera que flutua lentamente sobre o espaço, e outros completamente caóticos, com cortes rápidos, elementos de som cacofônicos e uma iluminação lisérgica e ...

Grizzly Bear - Veckatimest (REVIEW)

Veckatimest - 2009. Primeiramente, olá a todos. Queria começar explicando que postarei reviews de álbuns de gêneros variados, alguns mais críticos, outros, nem tanto. O intuito aqui reside na intenção de tentar trazer coisa nova, e ao mesmo tempo rever álbuns que já são considerados clássicos. Essa review foi originalmente publicada em um grupo de Facebook. Tentarei trazer pra cá todas as reviews que fiz nesse grupo, pra vocês poderem ter acesso à esse conteúdo Faz tempo que queria fazer review desse álbum aqui, e falar sobre o quanto é bonito, e também, uma das melhores produções que já pude ouvir nos últimos 10 anos. Grizzly Bear é uma banda indie/alternativa, que tem canções orientadas mais ao folk, e que teve seu começo pelos idos dos anos 2000, começando como um projeto solo do vocalista, que após o primeiro álbum, começou a trabalhar com músicos com os quais já conhecia de alguma forma. A banda sempre teve essa aproximação com o folk, porém as coisas foram ...