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| Veckatimest - 2009. |
Primeiramente, olá a todos. Queria começar explicando que postarei reviews de álbuns de gêneros variados, alguns mais críticos, outros, nem tanto. O intuito aqui reside na intenção de tentar trazer coisa nova, e ao mesmo tempo rever álbuns que já são considerados clássicos.
Essa review foi originalmente publicada em um grupo de Facebook. Tentarei trazer pra cá todas as reviews que fiz nesse grupo, pra vocês poderem ter acesso à esse conteúdo
Faz tempo que queria fazer review desse álbum aqui, e falar sobre o quanto é bonito, e também, uma das melhores produções que já pude ouvir nos últimos 10 anos.
Grizzly Bear é uma banda indie/alternativa, que tem canções orientadas mais ao folk, e que teve seu começo pelos idos dos anos 2000, começando como um projeto solo do vocalista, que após o primeiro álbum, começou a trabalhar com músicos com os quais já conhecia de alguma forma.
A banda sempre teve essa aproximação com o folk, porém as coisas foram evoluindo, e a forma de composição das músicas desse álbum se deram de forma diferente do que nos anteriores. Ao invés do sistema de "olha, compus essa música, queria que vocês ouvissem e decidissem se é boa ou não", dessa vez todos começaram do zero e compuseram juntos e em estúdio. Isso abriu um mar de possibilidades, e fez com que os membros se interligassem mais, além do cuidado com a produção se tornar maior.
A produção é o ponto chave desse álbum, é o que faz ele não ser mais um álbum de mais uma bandinha de indie folk chata, em meio a tantas que surgiram na década passada. O cuidado sonoro, com toda a composição, fez com que esse álbum se tornasse um clássico, e ao mesmo tempo (pelo menos pra mim), algo atemporal.
Okay, vamos ir para a parte fácil ao invés da difícil: o single Two Weeks. A produção meio lo-fi e ao mesmo tempo com mais camadas no teclado do início, já indica o cuidado com o tratamento sonoro. Além de tudo, é uma música extremamente melodiosa, nostálgica, com um crescendo fantástico, que trabalha de forma maravilhosamente bem o coral dos membros da banda, juntamente dos backing vocals da Victoria Legrand (não sabiam né? já é outra referência ótima pra vocês darem uma chance pra esse album).
Além disso, essa produção, mais refinada, com mais cuidado e com crescendos entre os instrumentos, denuncia muito a influência do chamber pop sessentista. Por óbvio que aqui estou mencionando The Turtles, The Youngbloods, e claro a fase Pet Sounds dos Beach Boys.
Porém, eles usaram tão bem da tecnologia que dispunham em estúdio, que isso soa como uma evolução daquele som dos anos 60, como se eles tivessem atingido o objetivo que o Brian Wilson tanto queria em Pet Sounds.
Só ouvir a leve reverberação dos corais no início de Dory, e a forma como cresce em sua ambientação com os instrumentos, além do trabalho na melodia e harmonia da voz do vocalista com os demais. Ou ainda, ouvir como a faixa de abertura, Southern Point, cresce ao longo de sua duração, chegando um puro êxtase, em uma guitarra que não soa nenhum pouco clichê.
Eu conheci esse álbum de uma forma tão boba: Two Weeks toca nas cenas finais do 10º episódio da 5ª temporada de How I Met Your Mother. É um som tão cativante, que combinou tão bem com a história contada ali, que eu simplesmente virei fã de início, só ouvindo esse single. E o restante do álbum só reafirmou o que eu já sabia: é um trabalho genial!
É um álbum que devia ser mais reconhecido. Ele foi lançado em uma época não muito boa pra ele (início da última fase do indie rock, uma fase de transição onde tinha muita banda estranha remanescente do post-grunge, e o pop desgraçando com tudo com o mau uso do autotune - ainda bem que aprenderam a usar issaê agora), ele só foi reconhecido por veículos de mídia patrícios aka Pitchfork.
Pra quem tá na onda do chamber pop e quer adentrar, ou ainda, já é conhecedor desse gênero mas ainda não chegou nesse álbum, por favor, dá uma atenção pra esse álbum, ele é puro ouro!

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