Como já é de praste no cinema do David Lynch, Lost Highway entrega ao espectador uma experiência de participação ativa, conduzindo-os através de pistas pontuais ao longo do roteiro. Apesar disso, essas pistas não tem a menor pretensão de chegar a uma conclusão específica, mas sim, de encorajar a exploração do inconsciente na cosmologia do filme.
O uso de símbolos metafóricos contribuem para a imersão nas diversas camadas de reflexões ontológicas da obra. Podemos perceber inicialmente o explícito desconforto, insegurança e angústia que atormentam Fred Madison, personagem interpretado (com excelência, diga-se de passagem) por Bill Pullman, fruto dos seus problemas de natureza conjugal e sexual. Toda essa instabilidade emocional é traduzida visualmente no contraste de ritmo das cenas, que intercalam entre planos mais pacatos com uma câmera que flutua lentamente sobre o espaço, e outros completamente caóticos, com cortes rápidos, elementos de som cacofônicos e uma iluminação lisérgica e atordoante.
A casa, que é tida universalmente como uma representação de refúgio e quietude, tem sua seguridade violada pelo personagem mórbido e grotesco (cujo o nome não é definido) interpretado por Robert Blake, assim como as paranoias adentram a psiquê humana. Enfim, chega o fatídico momento em que Fred comete o assassinato de sua esposa devido a todas essas circunstâncias.
É interessante observar o funcionamento do fluxo de criatividade do Lynch, e a inusitada escolha de representar um homem que sucumbe às suas inseguranças cometendo um ato criminoso, utilizando de todos esses símbolos e elementos metafísicos como background para o enriquecimento da experiência cinematográfica. Talvez isso se dê pelo fato do processo criativo do David Lynch funcionar de forma muito mais intuitiva e baseada em um "feeling", na qual o diretor se mantém sempre fiel desde a criação do roteiro, até os processos de pós produção como já foi dito por ele mesmo em diversas entrevistas.
Após a mudança nada convencional do posto de protagonista, Fred Madison se "transforma" em Pete Dayton, insinuando uma nova fase comportamental do personagem, que agora assume uma postura mais confiante e jovial, estando inserido em um contexto potencialmente mais violento. Essa também se revela um fase de completa negação dos acontecimentos que a antecede, sendo marcada por inúmeros flashbacks do assassinato e referências ao ocorrido, como o repúdio a própria música que expressava suas insatisfações naquele período. Além de contar com alucinações cada vez mais fortes a medida que se aproxima de relembrar os fatos, visualizando até mesmo distorções na matéria.
A relação lynchiana de sonho e realidade, é minuciosamente reforçada pelas lentas transições em "fade out" e pelas cenas desfocadas e turvas, que corroboram para a simulação de um estado de sonolência.
O uso de símbolos metafóricos contribuem para a imersão nas diversas camadas de reflexões ontológicas da obra. Podemos perceber inicialmente o explícito desconforto, insegurança e angústia que atormentam Fred Madison, personagem interpretado (com excelência, diga-se de passagem) por Bill Pullman, fruto dos seus problemas de natureza conjugal e sexual. Toda essa instabilidade emocional é traduzida visualmente no contraste de ritmo das cenas, que intercalam entre planos mais pacatos com uma câmera que flutua lentamente sobre o espaço, e outros completamente caóticos, com cortes rápidos, elementos de som cacofônicos e uma iluminação lisérgica e atordoante.
A casa, que é tida universalmente como uma representação de refúgio e quietude, tem sua seguridade violada pelo personagem mórbido e grotesco (cujo o nome não é definido) interpretado por Robert Blake, assim como as paranoias adentram a psiquê humana. Enfim, chega o fatídico momento em que Fred comete o assassinato de sua esposa devido a todas essas circunstâncias.
É interessante observar o funcionamento do fluxo de criatividade do Lynch, e a inusitada escolha de representar um homem que sucumbe às suas inseguranças cometendo um ato criminoso, utilizando de todos esses símbolos e elementos metafísicos como background para o enriquecimento da experiência cinematográfica. Talvez isso se dê pelo fato do processo criativo do David Lynch funcionar de forma muito mais intuitiva e baseada em um "feeling", na qual o diretor se mantém sempre fiel desde a criação do roteiro, até os processos de pós produção como já foi dito por ele mesmo em diversas entrevistas.
A relação lynchiana de sonho e realidade, é minuciosamente reforçada pelas lentas transições em "fade out" e pelas cenas desfocadas e turvas, que corroboram para a simulação de um estado de sonolência.


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