Além do aparente saudosismo a infância, a pureza que se revela sob a ótica de uma criança e a infinitude de possibilidades inerentes a essa primeira fase da vida, pude perceber também em "O Espelho" de Andrei Tarkovski, uma representação do impacto negativo do patriarcado em diferentes esferas, passando desde a família retratada, a um espectro mais amplo da sociedade.
O filme propõe uma narrativa sensorial não linear, onde cenas de caráter onírico e linhas temporais distintas coexistem e se entrelaçam criando pontos convergência para a abordagem de questões muito pertinentes da natureza humana e algumas construções sociais, que historicamente moldam todo um comportamento misógino em escala global.
A mise-en-scène da obra conta com nuances de muita sensibilidade para a construção de uma certa tensão atmosférica, frequentemente criada a partir da movimentação de câmera, que paira do distante e impessoal, ao próximo e extremamente íntimo. O filme também conta com fragmentos de vídeos que ilustram demonstrações históricas violentas de virilidade, como touradas, homens indo a guerra envoltos por um discurso patriota, líderes totalitários sendo ovacionados, etc...
Além disso, o uso do tempo de uma maneira muito singular que permeia toda a filmografia do Andrei Tarkovski, também está muito presente nesse filme, criando toda uma estrutura climática nos planos, dialogando perfeitamente com as atuações excepcionais e a relação entre os personagens e o espaço na qual estão inseridos.
Durante todo o filme, inúmeros espelhos aparecem refletindo os personagens, evocando momentos de introspecção tanto deles, quanto do próprio diretor, uma vez que o filme é baseado em relatos de sua vida.
O filme propõe uma narrativa sensorial não linear, onde cenas de caráter onírico e linhas temporais distintas coexistem e se entrelaçam criando pontos convergência para a abordagem de questões muito pertinentes da natureza humana e algumas construções sociais, que historicamente moldam todo um comportamento misógino em escala global.
A mise-en-scène da obra conta com nuances de muita sensibilidade para a construção de uma certa tensão atmosférica, frequentemente criada a partir da movimentação de câmera, que paira do distante e impessoal, ao próximo e extremamente íntimo. O filme também conta com fragmentos de vídeos que ilustram demonstrações históricas violentas de virilidade, como touradas, homens indo a guerra envoltos por um discurso patriota, líderes totalitários sendo ovacionados, etc...
Além disso, o uso do tempo de uma maneira muito singular que permeia toda a filmografia do Andrei Tarkovski, também está muito presente nesse filme, criando toda uma estrutura climática nos planos, dialogando perfeitamente com as atuações excepcionais e a relação entre os personagens e o espaço na qual estão inseridos.
Durante todo o filme, inúmeros espelhos aparecem refletindo os personagens, evocando momentos de introspecção tanto deles, quanto do próprio diretor, uma vez que o filme é baseado em relatos de sua vida.


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